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Bari Lotsāwa Rinchen Drak
1040 -1113

Bari Lotsāwa Rinchen Drak nasceu em Lingkha, em uma região que recebeu o nome da flor Yarmotang (prímula) que cresce abundantemente ali. Seu nome de clã, Bari, provavelmente se refere à atual região de Pari, onde está localizado o Mosteiro de Gonlung, ou possivelmente a uma área próxima a Liangzhou. Ele era conhecido por se autodenominar "Khampa", o que levou alguns estudiosos a supor que seu local de nascimento foi Lingtsang em Kham.

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Dizia-se que, quando criança, Bari possuía características compassivas e se dedicava a práticas budistas, como o canto de mantras. Após sonhar com um homem branco de quatro mãos que lhe pediu para ir ao Tibete central, Bari deixou Yarmotang aos dezenove anos, por volta de 1059.

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No Tibete central, Bari recebeu os votos de monge noviço de Zhang Yonten Rinchen e Tenchikpa Tsondu Drak em Wuru Toe, hoje conhecida como Meldro Gungkar, perto de Lhasa. Estes dois lamas lhe deram o nome de Rinchen Drak, bem como ensinamentos sobre a linhagem de Atisha, Prajñāpāramitā, entre outras instruções. De Geshe Nyarawa Dondrub, ele recebeu ensinamentos sobre todas as instruções Kadampa, os cinco tratados de Maitreya e o Abhidharma-samuccaya.

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Após estudar esses ensinamentos, Bari buscou outros mestres e estudiosos no Tibete central. Em Lhasa, Bari realizou cem mil circumambulações e prostrações no Jokhang e fez oferendas à imagem central do Jowo1.

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Segundo a tradição, em um sonho, Avalokiteśvara de onze faces apareceu à esquerda do Jowo e lhe disse para ir à Índia, onde realizaria grandes feitos. Dessa forma, aos trinta e quatro anos, em 1074, após passar quinze anos no Tibete central, ele partiu para a Índia.

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Nepal e Índia

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Bari e outros doze homens viajaram em peregrinação para os locais sagrados, primeiro para o Nepal, via Kyirong, seguindo depois a Bodhgaya e outros locais de peregrinação budista.

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No Nepal, Bari recebeu ensinamentos de Paṇḍita Ananda (também mencionado em algumas fontes como Yerang Paṇḍita, que significa o Paṇḍita de Paṭan) incluindo iniciações e instruções em sânscrito, relacionadas a Chakrasaṃvara, Vajrayoginī e materiais de Catuḥpiṭha. Ele então viajou para a região de Magadha, na Índia, onde conheceu um mestre chamado Mahayogin, que lhe deu instruções sobre Vajravarahi.

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Seu mestre mais importante na Índia, provavelmente em Bodhgaya e Nalanda, foi Amoghavajra, considerado pelos historiadores o mais renomado mestre budista de sua época.1 Rinchen Drak recebeu inúmeras iniciações tântricas e instruções sobre sutras, incluindo o Ratnakuṭa, o Avataṁsaka e o Samadhiraja e rituais para repelir inimigos.

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Bari Lotsāwa compilou uma coleção de sadhanas a partir dos mais de mil ensinamentos que recebeu de Ratnakaragupta e Amoghavajra. A coleção está preservada no Tengyur2, sob o título Cem Sādhanas de Bari, ou Bari Gyatsa. Conforme descrito pelo historiador tibetano Amey Zhab (1597–1659):

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De Ratnakaragupta, Amoghavajra e outros mestres, Bari recebeu mil e oito sadhanas de divindades yidam. Dentre esses, o Lotsawa e o Paṇḍita selecionaram cento e oito das mais refinadas e profundas sadhanas, compilando-as em uma coleção e traduzindo-as para o tibetano. O Paṇḍita compôs um ritual geral de visualização para todas elas e escreveu sadhanas individuais muito claras para cada divindade. Além disso, o Paṇḍita transmitiu quatro tipos diferentes de instruções orais: a transmissão da leitura explicativa, a transmissão da bênção, a transmissão da recitação e a transmissão do compromisso. Bari difundiu todas essas transmissões e práticas orais para o Tibete.

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Parece que a maioria das sadhanas foram traduzidas enquanto Bari Rinchen Drak estava na Índia. O colofão do Ritual Maṇḍala de Vajrapaṇi de Manto Azul afirma que foi traduzida e editada pelo abade indiano Paṇḍita Amoghavajra e o tradutor tibetano Khampa Bari Rinchen Drak.

Existem seis títulos creditados a Bari Lotsawa no Kangyur e cinquenta e oito títulos no Tengyur. Com Amoghavajra, ele traduziu o Amoghapasahṛdayasutra, um Tantra Kriya dedicado a Avalokiteśvara, que foi traduzido pela primeira vez para o tibetano no século VIII. É a tradução de Bari Lotsawa que consta no Kangyur.

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Entre os títulos notáveis ​​do Tengyur, destaca-se o Gurupadesa, também traduzido com Amoghavajra. Com Atulyavajra, em Katmandu, ele traduziu o Sricakrasaṃvarapanjika, de Bhavabhadra. Com Tathagatarakṣita, ele traduziu a própria composição desse Paṇḍita, Yoginisaṃcaryanibandha, bem como o Vajrabhairavatantrapanjika, de Kumāracandra.

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Em sua jornada de volta ao Tibete, Bari construiu uma residência para visitantes tibetanos nas planícies acima de Yambu, em Katmandu.

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Bari também construiu um edifício sem paredes chamado Chopari, destinado a servir de proteção contra o calor para os tibetanos. O historiador Amey Zhab nomeia a casa de repouso de Bari como Botang, que é o nome tibetano de um antigo templo em Katmandu mais conhecido como Mahakaal1.

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Mosteiro de Sakya

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Após nove anos na Índia e no Nepal, em 1083, aos quarenta e três anos, Bari Lotsawa retornou ao Tibete.

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Lung Tengpa Geshe Konchok Kyab foi o primeiro lama tibetano a receber Bari Rinchen Drak em sua chegada e a buscar seus ensinamentos.

Posteriormente, Khon Konchok Gyelpo (1034–1102) convidou Bari para Sakya, onde dez anos antes havia começado a construir o Mosteiro de Sakya.

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Bari Lotsāwa residiu em Sakya e ensinou por décadas, e em 1102, após a morte de Konchok Gyelpo, ascendeu ao trono do mosteiro como o segundo Sakya Trizin, pois Sachen Kunga Nyingpo (1092–1158), filho de Konchok Gyelpo, era então muito jovem para o cargo. Bari tornou-se um dos principais mestres de Kunga Nyingpo, um dos cinco fundadores da Escola Sakya.

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Nos dez anos seguintes, do ano do cavalo de água ao ano do coelho de ferro em 1111, Bari liderou o mosteiro, ministrando ensinamentos e construindo a Estupa da Vitória, em Sakya. Suas atividades administrativas incluíram a construção de muitas pontes, estupas e alojamentos.

Enquanto ainda servia como o Sakya Trizin, Bari viajou para o Mosteiro Toling em Ngari, onde traduziu vários textos, incluindo o Vajrasattvasadhanabhaṣya, comentário sobre a principal sadhana de Vajrasattva, com um Pandita indiano chamado Dipamkararakṣita.

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Ele também estabeleceu seu próprio templo perto de Sakya, conhecido como Yukharmo. Ele é uma das principais figuras da linhagem na transmissão e tradução da prática e dos tantras de Tara Branca que têm origem no mestre indiano Vagishvarakirti. A estátua de Tara no Templo Tara em Sakya, foi oferecida a Bari por Repa Zhiwa Wo, aluno de Milarepa (1040–1123).

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Em 1111, aos setenta e um anos, após entregar o trono Sakya a Sachen Kunga Nyingpo, Bari Rinchen Drak foi para Phugrong, um local próximo a Sakya, para praticar meditação.

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Em 1113, aos setenta e três anos, depois de ter instruído o jovem Kunga Nyingpo sobre a administração do Mosteiro de Sakya e sobre o budismo em geral, Bari faleceu no décimo quarto dia do nono mês do ano da serpente d'água, em Phugrong.

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Em 1278, Drogon Pakpa (1235–1280) escreveu uma prece de linhagem sobre Bari e seus ensinamentos, que inclui o seguinte verso:

 

Eu me prostro aos pés de Rinchen Drakpa,

semente da bodhicitta, nutrida pela água da compaixão,

árvore das qualidades que dá o fruto da realização,

que oferece sombra fresca para a reunião e o bem-estar dos outros seres.

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Notas:

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 1. Nota da Tradução em português: A estátua de Jowo Shakyamuni é considerada a imagem de Buda mais sagrada do Tibete, pois acredita-se que tenha sido esculpida na Índia pelo arquiteto celestial Viswakarma, por volta de 1900 a.C. O Testamento da Coluna em Forma de Vaso, do século XI, sugere que o Jowo Shakyamuni foi esculpido a partir de um retrato do Buda em vida. O propósito da escultura da estátua era servir como representante do Buda após seu parinirvana , ou seja, sua partida deste mundo. A estátua foi posteriormente levada pela princesa Wencheng, para o Templo de Jokhang, construído no século 7 aC, em Lhasa, no Tibet.

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 2. Nota da Tradução em Português: Amoghavajra era conhecido como “O Vajrasana Menor”, em contraste com seu mestre, o Grande Vajrasana Ratnakaragupta. Um terceiro mestre, Lalitavajra, é conhecido pelos historiadores tibetanos como o "Vajrasana do Meio".

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3. Nota da Tradução em Português: o Kangyur e o Tengyur compõem o Cânone Budista Tibetano, que contém todos os ensinamentos de Buda Shakyamuni, juntamente com os comentários sobre esses ensinamentos. O Kangyur (A Coleção das Palavras do Buda) é um repositório dos ensinamentos de Buda, com 108 volumes. O Tengyur (A Tradução dos Ensinamentos) com 225 volumes, é uma coletânea de comentários de grandes mestres budistas sobre os ensinamentos do Buda Sakyamuni. O Kangyur e o Tengyur juntos contêm 4.569 obras do Cânone Budista Tibetano.

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4.  Nota da Tradução em Português: Mahakaal é um antigo templo hindu e budista em Katmandu. De acordo com os budistas, é dedicado à Mahakala e é conhecido como Templo Botang.

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Fonte: https://treasuryoflives.org/

Tradução e publicação desta biografia em inglês com o apoio da Fundação Khyentse em junho de 2025.

* Traduzido para o português pelo Grupo Wisdom Light

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