
Drogön Chögyal P'hagpa
1235 - 1280
Drogön Chögyal Phagpa, (Rei do Dharma da Vitória – Protetor dos Seres) nasceu em meio a excelentes sinais no ano da Ovelha Fêmea de Madeira (1235). Seu pai era Sönam Gyaltsen e sua mãe era Machig Kunga Kyi. Ao nascer, recebeu o nome de Lödro Gyaltsen (Sabedoria da Bandeira da Vitória). Ele é sobrinho do Quarto Patriarca Sakya, Sakya Pandita.
Desde muito jovem, Chögyal Phagpa demonstrou inteligência excepcional e grande conhecimento em diversas áreas, especialmente sua habilidade de ler e escrever em diferentes alfabetos, sem ter recebido instrução formal. Por exemplo, aos três anos de idade, recitou de memória a elaborada sadhana de Hevajra. Todos os presentes ficaram muito impressionados e comentaram que ele era um verdadeiro Phagpa (ser sagrado). A partir de então, ele ficou conhecido como Phagpa e sua fama se espalhou por toda parte.
Ele dedicou todo o seu tempo a acompanhar Sakya Pandita durante suas viagens e estadias na China, até que, aos dezessete anos, Chögyal Phagpa partiu para a Mongólia em nome de seu tio. O então Príncipe Kublai enviou uma carta-convite a Sakya Pandita solicitando um encontro, mas Sakya Pandita estava doente e, portanto, não pôde viajar. E Chögyal Phagpa fez a viagem em seu lugar.
Sakya Pandita ficou muito satisfeito com Chögyal Phagpa por ter dominado os ensinamentos Vajrayana internos e externos e, por isso, deu-lhe uma concha branca para proclamar o Dharma e uma tigela de esmolas. Tendo confiado seus alunos a Chögyal Phagpa, o mestre disse: “Chegou a hora de você ensinar, beneficiar muitos seres sencientes e cumprir sua promessa.” Então, Sakya Pandita faleceu, tendo realizado tudo o que pretendia fazer. Dessa forma, Chögyal Phagpa sucedeu Sakya Pandita como o sétimo Sakya Trizin. Ele também se tornou o quinto Patriarca Sakya.
Sua Santidade o Sakya Trichen: Como o Vajrayana foi Estabelecido no Império Mongol pela Primeira Vez
Mais tarde, Kublai Khan convidou Chögyal Phagpa para a Mongólia. A consorte de Kublai Khan, a Rainha Chabi, já havia desenvolvido uma devoção inabalável por Chögyal Phagpa. No entanto, Kublai Khan via Chögyal Phagpa apenas como um jovem nobre erudito extremamente inteligente. A Rainha Chabi era muito devota a Chögyal Phagpa. Ela solicitou a Iniciação de Hevajra. Após receber a iniciação, ela ficou tão impressionada com Chögyal Phagpa que pediu a Kublai Khan que também recebesse o mesmo ensinamento.
No entanto, Kublai Khan perguntou: "Para receber tal ensinamento, que compromisso devo assumir?" Chögyal Phagpa respondeu: "Se você receber a iniciação, então você deverá seguir tudo o que o Guru orientar, você deverá sempre respeitá-lo como respeita sua coroa."
Ao ouvir isso, Kublai Khan respondeu: “Não posso seguir tais instruções, pois sou o Imperador. Portanto, não receberei a iniciação.”
A Rainha Chabi, muito inteligente e sagaz, sugeriu: “Há, na verdade, uma solução para isso. Se for uma cerimônia religiosa, o Lama Chögyal Phagpa deve sempre sentar-se em um trono mais elevado. Se for uma cerimônia secular, então o Imperador se sentará em um trono mais elevado. Em relação aos métodos tibetanos, devemos seguir o que o Lama Phagpa disser, mas quanto a outros assuntos, o Lama não deve interferir. Assim, com esse tipo de arranjo, Vossa Majestade poderá manter seu samaya (votos a cumprir após receber os ensinamentos tântricos).”
Chögyal Phagpa concedeu a iniciação de Hevajra três vezes a Kublai Khan e à Família Real, juntamente com o círculo íntimo de assistentes, num total de vinte e cinco iniciados em cada ocasião. (De acordo com a prática tradicional da tradição Sakya, a iniciação de Hevajra só pode ser concedida a no máximo vinte e cinco iniciados pela primeira vez.) Na primeira iniciação, Kublai Khan ofereceu as principais partes do Tibete como oferenda. Alguns anos depois, ofereceu todo o Tibete a Chögyal Phagpa na segunda iniciação. Na China antiga, existia uma prática que impedia pessoas com deficiência de viver. Como o país tinha uma população enorme, o número de vidas perdidas devido a essa prática era imenso. Kublai Khan prometeu acabar com essa prática como uma oferenda a Chögyal Phagpa durante a terceira iniciação. Dessa forma, o ensinamento Vajrayana foi estabelecido pela primeira vez no Império Mongol. O budismo Mahayana já havia sido introduzido no Império Mongol e na China, mas o budismo Vajrayana não.
Embora Kublai Khan e sua família tivessem recebido muitos ensinamentos de Chögyal Phagpa, sua devoção não se comparava à da Rainha Chabi. Portanto, a Rainha Chabi foi pessoalmente até Chögyal Phagpa e pediu: “Lama Rinpoche, para fortalecer a fé do Imperador, por favor, realize um feito milagroso. Caso contrário, corre o risco de sua confiança vacilar.” Após o pedido, feito pela terceira vez, Chögyal Phagpa fortaleceu a fé de Kublai Khan realizando milagres; ele mostrou cada uma das Cinco Famílias de Buda separadamente, cortando os cinco membros do próprio corpo com uma espada afiada. Todos os presentes, incluindo Kublai Khan, ficaram extremamente chocados ao ver isso; Kublai Khan imediatamente pediu ao seu mestre que interrompesse a cena e declarou que agora tinha fé e devoção inabaláveis por seu Lama.
Aos vinte e cinco anos, Chögyal Phagpa recebeu de Kublai Khan, o título de "Tishri" (Preceptor Imperial). Kublai Khan sugeriu a conversão de todas as outras tradições budistas para a tradição Sakya. Usando a analogia de uma mesa que só funciona quando todas as quatro pernas estão presentes, Chögyal Phagpa pediu a Kublai Khan que apoiasse, cuidasse e propagasse todas as tradições budistas. Chögyal Phagpa contribuiu imensamente para todas as tradições durante esse período.
Chögyal Phagpa difundiu o Dharma no Tibete, na China e na Mongólia, e tornou-se abade de quatrocentos mil monges. Ele ministrou ensinamentos em muitos idiomas e beneficiou muitas pessoas. Também compôs muitos textos de comentários, instruções práticas e perguntas e respostas. Chögyal Phagpa também inventou a “Escrita Phagpa”.
Na madrugada do vigésimo segundo dia do décimo primeiro mês do ano do Dragão de Ferro (1280), aos quarenta e cinco anos, após ter se empenhado grandemente em beneficiar os outros, Chögyal Phagpa sentou-se de pernas cruzadas, segurando seu vajra e sino. Com os braços cruzados, em meio a sons, aromas maravilhosos e uma chuva de flores, ele faleceu.
Segundo S.S. Sakya Trichen, Chögyal Phagpa não era apenas um grande mestre, mas um Buda real, um Buda em forma humana: “Naquela época, havia alguns que criticavam o envolvimento de Chögyal Phagpa em atividades religiosas e seculares. Então, essas pessoas queriam testá-lo. Quando estavam a caminho para ver Chögyal Phagpa, também encontraram alguns arhats idosos. O Senhor Buda designou esses dezesseis arhats para beneficiar os seres sencientes. Esses dezesseis arhats residem em diferentes partes do mundo, propagando o Dharma de Buda. Assim, durante esse período, esses dezesseis arhats também vieram ver o grande Chögyal Phagpa. Ao verem isso, a dúvida e a confusão daquelas pessoas foram dissipadas. Elas agora acreditavam que Chögyal Phagpa não era apenas um grande mestre, mas um Buda real, um Buda em forma humana. Dessa forma, pudemos ver e aprender quão grandioso Chögyal Phagpa era como um Buda em pessoa.”
Sua Santidade o Sakya Trichen, 2018
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Fonte: https://sakyatradition.org/biographies/drogon-chogyal-phagpa/
* Traduzido para o português pelo Grupo Wisdom Light
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